sexta-feira, 23 de outubro de 2026
Política

Vereador questiona falta de nova perícia antes do retorno de Filó ao Cetas em Manaus

Aldenor Lima afirma que a estrutura do Ibama oferece risco à capivara e defende que a decisão considere avaliações técnicas atualizadas sobre a saúde e as condições de acolhimento do animal.
Vereador questiona falta de nova perícia antes do retorno de Filó ao Cetas em Manaus
Foto: Paulo Pascareli/Assessoria

A ausência de uma nova perícia judicial sobre as condições atuais da capivara Filó foi questionada pelo vereador Aldenor Lima (União Brasil) durante pronunciamento na Câmara Municipal de Manaus. Para o parlamentar, uma avaliação atualizada deveria ser considerada antes do cumprimento da decisão que determina o retorno do animal ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) do Ibama, em Manaus.

A sentença foi proferida na terça-feira (13 de outubro) e estabelece prazo de 30 dias para que Agenor Tupinambá entregue Filó ao órgão ambiental. Segundo a decisão citada na manifestação, a finalidade é a reabilitação e a possível reintegração da capivara à natureza.

Questionamentos sobre a estrutura

Presidente da Comissão de Proteção e Bem-estar Animal (Compets), Aldenor declarou que o Cetas apresenta estrutura precária e que o encaminhamento pode representar risco à vida do animal. O vereador é médico-veterinário e acompanha o caso desde 2023, quando participou da mobilização pela devolução de Filó ao ambiente em que vivia.

Na ocasião, ele esteve no Cetas com a deputada estadual Joana Darc (União Brasil) e profissionais habilitados para avaliar as condições da capivara. No pronunciamento desta quarta-feira (14 de outubro), Aldenor voltou a defender que decisões relacionadas ao animal sejam tomadas com base em informações técnicas recentes.

“A capivara Filó está saudável, circula livremente na natureza, inclusive, passa dias sem aparecer porque está vivendo instintivamente”, afirmou o vereador. Na avaliação dele, não estaria demonstrado que o bem-estar do animal é a prioridade da medida determinada.

A manifestação de Aldenor também retomou um trecho de decisão judicial segundo o qual Agenor Tupinambá, morador da zona rural de um município do Amazonas, manteria uma relação de convivência com a floresta e os animais existentes na região. Ao comentar o conteúdo, o parlamentar disse que o Cetas não teria estrutura para abrigar animais silvestres.

Defesa de critérios técnicos

O vereador afirmou que a segurança, a saúde e o bem-estar de Filó devem orientar qualquer decisão sobre o destino da capivara. Ele também defendeu que sejam consideradas as características da espécie e as condições efetivas dos espaços usados para acolhimento, reabilitação e eventual reintegração à natureza.

Na divulgação da manifestação, Aldenor não apresentou uma nova avaliação veterinária ou outro exame técnico que confirme as condições atuais de Filó. Também não foram detalhados o conteúdo da decisão judicial anterior mencionada pelo vereador, os critérios usados para definir a estrutura do Cetas como inadequada ou a posição do Ibama sobre os questionamentos. O parlamentar, porém, sustentou que a falta de uma nova perícia antes da entrega do animal é um ponto que precisa ser considerado.

Aldenor declarou ainda que está disposto a participar de outra mobilização, caso seja necessário. Ele lembrou a atuação realizada em 2023 para evitar que Filó permanecesse em condições que considerava inadequadas de cativeiro.

Crítica à prioridade do órgão

Durante o discurso, o vereador criticou o que considera uma prioridade inadequada por parte do órgão ambiental. Na avaliação dele, o Ibama deveria concentrar esforços na situação das queimadas e na punição de responsáveis por incêndios criminosos na floresta, em vez de retirar a capivara do local onde vive para levá-la ao Cetas.

“Nós iremos à luta”, declarou Aldenor ao defender a continuidade da mobilização em torno do caso. A Câmara informou que o parlamentar pretende assegurar que a destinação de Filó seja discutida com base na proteção da fauna e em avaliações técnicas.

O caso envolve uma decisão judicial com prazo definido para a entrega do animal, mas a manifestação do vereador se concentra nos riscos atribuídos à estrutura de acolhimento e na necessidade de verificar novamente as condições de saúde e comportamento da capivara. Até a divulgação analisada, não foram informados novos prazos para uma perícia, responsáveis por eventual avaliação complementar ou medidas específicas para o período de reabilitação.

Fonte: Camara dos Vereadores Manaus.

Foto: Paulo Pascareli/Assessoria