Câmara aprova em comissão uso de monitoramento urbano integrado na Lei Maria da Penha para proteção de mulheres

Comissão aprova proposta para integrar sistemas urbanos de vigilância à fiscalização de medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha.

15/07/2026 – 11:28 — A Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 1045/26, do deputado Alfredinho (PT-SP), que altera a Lei Maria da Penha para criar mecanismos de monitoramento urbano integrado. A proposta autoriza o uso da infraestrutura de segurança urbana, incluindo câmeras, sensores, sistemas de reconhecimento facial, leitura de placas de veículos e biometria, para identificar o descumprimento de ordens judiciais e prevenir a violência doméstica e familiar contra a mulher.

Modernização

A relatora, deputada Delegada Adriana Accorsi (PT-GO), defendeu a aprovação e afirmou que a iniciativa moderniza a fiscalização das medidas protetivas. Segundo a relatora, “a eficácia dessas medidas depende da capacidade do Estado de identificar com rapidez situações de descumprimento. No modelo atual, essa capacidade repousa quase exclusivamente sobre a vigilância da própria vítima e sobre o acionamento posterior da polícia”.

Adriana Accorsi observou ainda que a infraestrutura tecnológica das cidades hoje é subutilizada para a proteção da mulher e que a integração proposta permitirá que a aproximação do agressor a perímetros de restrição seja detectada tanto pelo dispositivo individual quanto pela infraestrutura urbana.

Alertas

O texto prevê que o juiz poderá determinar o cadastro da medida protetiva em sistema integrado de segurança e definir perímetros geográficos de restrição. O sistema poderá emitir alertas automáticos para que a polícia adote providências imediatas caso o agressor se aproxime da vítima.

A proposta também garante o respeito à privacidade e à proteção de dados pessoais. De acordo com o texto, os dados coletados deverão ser usados exclusivamente para prevenir a violência e proteger as vítimas.

Apoio federal e tramitação

O projeto prevê apoio técnico e financeiro da União para a implementação dos sistemas integrados por estados e municípios. Adriana Accorsi afirmou que, sem fomento federal, as desigualdades regionais na capacidade de investimento em tecnologia de segurança pública tenderiam a produzir efeitos protetivos heterogêneos.

A proposta tramita em caráter conclusivo e ainda será analisada pelas comissões de Defesa dos Direitos da Mulher; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, precisa ser aprovada pelos deputados e pelos senadores.

Reportagem – Noéli Nobre
Edição – Marcia Becker

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Publicado em: 15/07/2026 às 10:28
Categoria(s): Política Nacional