As notificações de sífilis em Manaus aumentaram em 2026 nas três categorias acompanhadas pela Secretaria Municipal de Saúde (Semsa): casos adquiridos em adultos, registros entre gestantes e ocorrências de sífilis congênita. Os dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) foram apresentados durante uma ação de mobilização realizada nesta quarta-feira (14), na Unidade de Saúde da Família (USF) José Rayol dos Santos, no bairro Chapada, zona Centro-Sul.
Segundo o Núcleo de Controle de HIV/Aids, Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) e Hepatites Virais da Semsa, a média mensal de notificações de sífilis adquirida em adultos, excluindo gestantes, passou de 322 em 2025 para 361 em 2026, alta de 12,1%. Entre gestantes, a média subiu de 198 para 208 casos mensais, crescimento de 5,1%.
A sífilis congênita, transmitida da gestante para o bebê, também apresentou aumento. A média mensal registrada em Manaus passou de 24 casos em 2025 para 33 em 2026, uma elevação de 37,5%.
Testagem e prevenção
O “Dia D” integrou a programação do “Outubro Verde”, campanha nacional de combate à sífilis e à sífilis congênita. Durante a atividade, as equipes da USF José Rayol dos Santos ofereceram testes rápidos para sífilis, kits de autoteste de HIV, preservativos e materiais informativos. Os profissionais também orientaram os usuários sobre prevenção e continuidade do tratamento após um diagnóstico positivo.
De acordo com a técnica do Nucist, enfermeira Ylara Costa, o aumento das notificações pode estar relacionado à maior disponibilidade de testes rápidos. Atualmente, segundo a Semsa, a testagem está disponível em todas as unidades da rede básica e também em ações realizadas fora das unidades de saúde.
O subsecretário municipal de Gestão da Saúde, Djalma Coelho, afirmou que a rede municipal oferece gratuitamente diagnóstico precoce e tratamento na Atenção Primária à Saúde. Ele também destacou que a doença pode permanecer sem sintomas por longo período, o que torna a testagem uma ferramenta para identificar casos e interromper a transmissão.
A diretora de Vigilância Epidemiológica, Ambiental, Zoonoses e da Saúde do Trabalhador, Marinélia Ferreira, informou que o tratamento é feito com medicação injetável. Nas unidades municipais, também são oferecidos testes para HIV e hepatites virais, além de preservativos durante todo o ano, e não apenas no período da campanha.
Risco na gestação
A prevenção da sífilis congênita depende da identificação da infecção durante o pré-natal e da realização do tratamento completo. A Semsa orienta que a gestante faça o teste na primeira consulta, preferencialmente no primeiro trimestre, repita a avaliação no terceiro trimestre e realize nova testagem no momento do parto ou em situações de aborto.
Em Manaus, a estratégia foi ampliada em 2026. A rede municipal passou a prever, no mínimo, três testes para sífilis durante o pré-natal, incluindo uma avaliação no segundo trimestre da gestação. A medida se soma às testagens feitas no primeiro e no terceiro trimestres.
Marinélia Ferreira ressaltou que a infecção pode ser transmitida ao bebê e causar sífilis congênita. Por isso, a orientação é que a gestante faça o acompanhamento, siga o tratamento indicado e mantenha as medidas de proteção durante a gravidez.
Orientação à população
Ylara Costa informou que o teste rápido é feito com uma gota de sangue retirada da ponta do dedo e pode apresentar o diagnóstico em cerca de 30 minutos. A recomendação da técnica é que pessoas com vida sexual ativa que não usam preservativo em todas as relações façam o exame pelo menos uma vez por ano.
Além da testagem, a Semsa reforça o uso de preservativos como medida de prevenção. A enfermeira afirmou que a redução do uso desse método entre pessoas maiores de 18 anos representa um desafio para o controle da doença.
Fabiano Soares, representante da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV e Aids (RNP+ Brasil) e adjunto da Aliança Nacional LGBTI, acompanhou a ação na unidade da Chapada. Para ele, iniciativas desse tipo ajudam a informar a população sobre prevenção, acompanhamento e acesso aos serviços do Sistema Único de Saúde (SUS).
A Prefeitura de Manaus informou que a mobilização faz parte das ações da Semsa para ampliar o conhecimento sobre a sífilis, estimular a realização de testes e reforçar a adesão ao tratamento nos casos confirmados.
Fonte: Prefeitura de Manaus.








