quarta-feira, 28 de outubro de 2026
Amazonas

Manaus prevê ampliar diagnóstico de malária para 106 unidades até 2027

A rede municipal já oferece exames em 81 estabelecimentos, sendo 43 na área urbana e 38 na zona rural. Até 23 de outubro, foram registrados 6.177 casos com provável local de infecção na capital.
Manaus prevê ampliar diagnóstico de malária para 106 unidades até 2027
Foto distribuída pela Prefeitura de Manaus

A Prefeitura de Manaus prevê ampliar para 106 o número de unidades municipais habilitadas a oferecer diagnóstico e tratamento da malária no primeiro semestre de 2027. A expansão faz parte de uma estratégia iniciada em 2025 pela Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), que atualmente mantém o serviço em 81 estabelecimentos das áreas urbana e rural.

Dos pontos em funcionamento, 43 estão distribuídos pelos distritos de saúde da zona urbana e 38 ficam na zona rural. O planejamento da Semsa é alcançar todas as unidades da rede municipal até o fim de 2027. No primeiro semestre, a previsão é completar a cobertura dos Distritos de Saúde Norte e Oeste. Na segunda metade do ano, o avanço deve ocorrer nos Distritos Leste e Sul.

Diagnóstico na atenção primária

Segundo a secretaria, a medida busca facilitar a identificação da doença e permitir o início do tratamento em até 48 horas após o surgimento dos sintomas. A avaliação é feita com testes rápidos ou pelo exame de gota espessa, disponibilizados principalmente pelo Ministério da Saúde.

A responsável técnica pelas ações de Vigilância Epidemiológica da Malária da Semsa, Viviana Cláudia de Paula Conceição, afirma que a oferta do exame na área urbana é necessária porque moradores da cidade podem ter contato com áreas rurais, balneários, sítios e regiões de mata. Como o período de incubação pode durar vários dias, os sintomas podem aparecer depois do retorno, levando o paciente a procurar a unidade mais próxima de sua residência.

A população pode solicitar o exame diretamente na recepção das unidades que oferecem o serviço, sem consulta médica prévia. Quando o resultado é positivo, o usuário é encaminhado para avaliação e início do tratamento, fornecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

A implantação do atendimento envolve a capacitação de equipes de recepção, enfermagem, medicina, farmácia e gestão. A meta informada pela Semsa é que pessoas com suspeita da doença possam realizar o teste imediatamente na atenção primária, antes de necessitarem de atendimento em uma UPA ou SPA.

Casos registrados na capital

A expansão ocorre em um cenário de aumento dos registros de malária em Manaus. Dados da Vigilância Epidemiológica da Semsa indicam 6.177 casos com local provável de infecção no município até 23 de outubro de 2026. Entre os registros, 62 foram identificados em gestantes, 498 em idosos e 702 em crianças.

O Distrito de Saúde Leste concentra a maior quantidade de casos, especialmente nas áreas dos ramais do Brasileirinho e do Puraquequara. Conforme a Semsa, a ocupação humana em locais próximos à mata tem contribuído para ampliar a exposição ao mosquito. Também há registros de transmissão nas zonas Norte, Leste e Oeste, principalmente em áreas próximas a matas e igarapés.

A malária é provocada por parasitas do gênero Plasmodium e transmitida pela picada de fêmeas infectadas de mosquitos do gênero Anopheles, conhecidos como mosquitos-prego. A transmissão ocorre sobretudo em áreas rurais e periurbanas, na transição entre a cidade e a floresta. No Amazonas, os registros costumam aumentar durante o verão amazônico, especialmente entre junho e setembro.

Sintomas e prevenção

Febre, calafrios, dor de cabeça, dores no corpo, fraqueza, náuseas e vômitos estão entre os sintomas da doença. A Semsa orienta que pessoas com esses sinais, principalmente após frequentarem áreas rurais, balneários, sítios ou regiões de mata, procurem uma unidade que ofereça o diagnóstico.

A secretaria também recomenda o uso de repelente, roupas de mangas compridas e calças, além da redução da exposição aos mosquitos nos horários de maior atividade, no início da manhã e no fim da tarde. Outra medida adotada é a inclusão do exame de malária na rotina do pré-natal, inclusive para gestantes sem sintomas, com o objetivo de identificar infecções assintomáticas.

De acordo com a Semsa, o diagnóstico e o tratamento rápidos ajudam a interromper a cadeia de transmissão, já que o mosquito pode se infectar ao picar uma pessoa contaminada e transmitir o parasita a outras pessoas.

Fonte: Prefeitura de Manaus.

Foto distribuída pela Prefeitura de Manaus