sexta-feira, 25 de setembro de 2026
Cidades

Itacoatiara: conheça a cidade conhecida como “Cidade da Pedra Pintada” no Amazonas

Itacoatiara, no Amazonas, é conhecida como Cidade da Pedra Pintada por causa das inscrições encontradas em rochas na região. A história do município passa por aldeamentos indígenas, missões religiosas, mudanças de localização, a antiga Vila de Serpa e a elevação à categoria de cidade em 1874.

Às margens do rio Amazonas, no leste do estado, Itacoatiara é conhecida como a Cidade da Pedra Pintada. O apelido está relacionado ao próprio nome do município, de origem indígena, e às inscrições encontradas em rochas na região do bairro Jauary e em áreas próximas.

A história de Itacoatiara é anterior à criação formal do município. Ela reúne a presença de povos originários, a atuação de missionários, deslocamentos de aldeamentos, a administração colonial portuguesa e a formação de uma cidade que se tornou uma das principais do interior do Amazonas.

De acordo com o IBGE, Itacoatiara tinha 103.598 habitantes no Censo 2022 e área territorial de 8.882,186 quilômetros quadrados. O município também integra a Região Metropolitana de Manaus desde 2007. (ibge.gov.br)

Por que Itacoatiara é chamada de Cidade da Pedra Pintada?

O nome Itacoatiara é geralmente associado às palavras indígenas itá, traduzida como “pedra”, e coatiara, relacionada a “pintado”, “gravado”, “escrito” ou “esculpido”. A interpretação faz referência às marcas existentes em rochas observadas nas proximidades da cidade.

Segundo a Prefeitura de Itacoatiara, algumas dessas pedras ficam na área do Jauary, bairro situado na margem do rio Amazonas. As inscrições são atribuídas aos povos que ocupavam a região antes da colonização europeia e ajudaram a formar a identidade histórica do município.

O termo também aparece em registros históricos sobre a Amazônia para designar pedras com figuras, desenhos ou gravações. Por isso, o nome não se limita a um ponto turístico específico: ele representa uma relação entre a paisagem, a memória indígena e a origem do topônimo que identifica a cidade. (itacoatiara.am.gov.br)

Os primeiros registros de ocupação

Os relatos sobre a formação de Itacoatiara não são apresentados de maneira completamente uniforme nas fontes históricas. A própria Prefeitura informa que há registros de povoamento na região desde 1655, quando o padre Antônio Vieira teria criado a Missão dos Aroaquis na Ilha de Aibi, nas proximidades da boca do lago do Arauató.

O município também relaciona sua origem a um núcleo urbano fundado por padres jesuítas em 8 de setembro de 1683, inicialmente na calha do rio Madeira. Mais tarde, a população teria sido transferida para a margem esquerda do rio Amazonas, onde se encontra a sede atual de Itacoatiara.

Outra etapa importante ocorreu em meados do século XVIII. Na foz do rio Mataurá, afluente do rio Madeira, Frei João Sampaio teria organizado um núcleo de povoamento. Ataques de grupos indígenas e a busca por áreas consideradas mais adequadas à colonização provocaram novas transferências para a região do rio Canumã e, posteriormente, para o rio Abacaxis.

Esses deslocamentos mostram que a formação da cidade ocorreu de maneira gradual. Antes de existir como núcleo urbano consolidado, a área passou por diferentes experiências de aldeamento e ocupação, influenciadas pela navegação dos rios, pela ação missionária e pelos conflitos do período colonial. (itacoatiara.am.gov.br)

Da Aldeia dos Abacaxis à Vila de Serpa

Em 1757, os habitantes da Aldeia dos Abacaxis foram transferidos para a margem esquerda do rio Amazonas, local onde atualmente está Itacoatiara. A mudança foi associada às dificuldades enfrentadas nos assentamentos anteriores e à reorganização da ocupação colonial na região.

O processo ocorreu durante a administração de Francisco Xavier de Mendonça Furtado, governador do Estado do Grão-Pará e Maranhão. Em documentos do período, a viagem e as decisões tomadas na região amazônica aparecem relacionadas à criação e à reorganização de aldeias sob controle português.

Dois anos depois, em 1759, a aldeia foi elevada à condição de vila e recebeu o nome de Serpa. A denominação era de origem portuguesa e permaneceu ligada à história local por muitos anos. Ainda hoje, a expressão “Velha Serpa” é usada para se referir à trajetória histórica de Itacoatiara.

A Prefeitura considera Itacoatiara a terceira vila instalada no Amazonas, depois de Borba e Barcelos. A posição conferida à Vila de Serpa refletia a importância estratégica do local, situado em uma área de circulação fluvial e de ligação entre diferentes partes da Amazônia. (itacoatiara.am.gov.br)

O período da Cabanagem e a reorganização administrativa

O município passou por mudanças administrativas ao longo do século XIX. Segundo o histórico oficial, a estrutura municipal foi suprimida em 1833. Dois anos depois, a região foi atingida pela Cabanagem, movimento político e social que provocou conflitos em várias áreas da Amazônia e terminou em 1840.

A restauração do município ocorreu em 10 de dezembro de 1857. No entanto, a organização administrativa ainda sofreu alterações antes da consolidação definitiva da cidade. Esse período evidencia como a ocupação amazônica esteve ligada às disputas políticas do Império, ao controle dos rios e à dificuldade de manter estruturas administrativas em áreas extensas e de acesso predominantemente fluvial.

Para compreender a história de Itacoatiara, é necessário considerar esse contexto mais amplo. A cidade não se desenvolveu de forma isolada: sua trajetória acompanhou as transformações políticas, econômicas e territoriais que atingiram o Amazonas desde o período colonial. (itacoatiara.am.gov.br)

Itacoatiara se torna cidade em 1874

O marco oficial mais associado à formação da cidade atual é 25 de abril de 1874. Naquela data, a antiga vila foi elevada à categoria de cidade pela Lei Provincial nº 283 e passou a adotar o nome Itacoatiara.

A escolha do nome recuperou uma referência indígena presente na paisagem regional. A denominação também estabeleceu uma ruptura simbólica com o nome Serpa, usado desde o período colonial, ao mesmo tempo em que preservou a memória da antiga vila.

As pedras com inscrições em baixo-relevo, especialmente as relacionadas ao bairro Jauary, passaram a representar a ligação entre a cidade moderna e os povos que já ocupavam aquele território. A Pedra Pintada, nesse sentido, funciona como um símbolo de continuidade histórica, ainda que a formação urbana tenha ocorrido por meio de diferentes etapas e deslocamentos.

Em 2024, a cidade realizou referências comemorativas aos 150 anos de sua elevação à categoria de cidade. A celebração destacou documentos, prédios antigos, acervos religiosos e vestígios arqueológicos como partes do patrimônio de Itacoatiara. (itacoatiara.am.gov.br)

A Batalha Naval de 1932

Outro episódio lembrado na história de Itacoatiara ocorreu em 24 de agosto de 1932, durante a Revolução Constitucionalista. A chamada Batalha Naval aconteceu em frente à cidade e envolveu embarcações ligadas aos grupos legalistas e aos revoltosos.

De acordo com o relato publicado pela Prefeitura, os navios Ingá e Baependi estavam entre as embarcações legalistas, enquanto Jaguaribe e Andirá eram associados ao grupo rebelde. A cidade chegou a ter trincheiras construídas na área litorânea, e parte dos moradores deixou a região central em busca de segurança.

O episódio é apresentado como um dos momentos de maior tensão vividos por Itacoatiara no século XX. A memória da batalha permanece ligada à posição estratégica do município às margens do rio Amazonas, que fazia da navegação um elemento central para a defesa, o abastecimento e a comunicação regional.

Como ocorre com outros acontecimentos históricos, os detalhes do episódio devem ser consultados em fontes documentais e estudos especializados. O registro municipal, porém, confirma que a batalha integra a memória oficial da cidade. (itacoatiara.am.gov.br)

Patrimônio histórico e cultural

O patrimônio de Itacoatiara é formado por elementos naturais, arqueológicos, religiosos e arquitetônicos. Entre os espaços destacados no guia turístico oficial estão a orla da cidade, o Monumento Pedra Pintada, a Catedral Nossa Senhora do Rosário, a Praça do Relógio, a Capela de São Francisco e o Centro Cultural Velha Serpa.

Também fazem parte desse conjunto o Casarão Oscar Ramos, o Mercado Municipal Gesta Filho, o Mercado do Jauary, a Feira do Produtor Rural e áreas verdes como o Bosque das Seringueiras. Esses locais ajudam a contar diferentes momentos da vida urbana, desde a influência religiosa e administrativa até o comércio e a relação cotidiana com o rio.

A arquitetura do centro histórico preserva referências de diferentes períodos. Igrejas, casarões, praças e mercados revelam transformações ocorridas ao longo do tempo e mostram como a cidade se estruturou em torno das atividades comerciais, da circulação fluvial e dos serviços públicos.

O patrimônio arqueológico, por sua vez, exige atenção especial. Inscrições em rochas são registros frágeis e devem ser preservadas contra vandalismo, retirada de fragmentos e intervenções que possam comprometer sua leitura. A valorização da Pedra Pintada depende tanto do turismo quanto da conservação da memória dos povos originários. (itacoatiara.am.gov.br)

Itacoatiara na atualidade

Atualmente, Itacoatiara é um dos principais municípios do interior do Amazonas. A cidade mantém forte relação com o rio Amazonas, que continua sendo uma via importante para deslocamentos, transporte de mercadorias e conexão com outras localidades.

O município também se destaca por sua dimensão populacional e econômica no estado. Dados do Censo 2022 apontam 103.598 habitantes, enquanto a área territorial ultrapassa 8,8 mil quilômetros quadrados. Esses números ajudam a dimensionar a importância regional de Itacoatiara e a diversidade de áreas urbanas, rurais e ribeirinhas que compõem o território municipal. (ibge.gov.br)

A integração à Região Metropolitana de Manaus, em 2007, aproximou administrativamente Itacoatiara de um dos principais centros urbanos da Amazônia. Mesmo assim, a identidade local permanece associada à antiga Serpa, à navegação pelo Amazonas e às pedras gravadas que deram origem ao nome da cidade.

Uma cidade marcada pela memória das pedras

Conhecer Itacoatiara é acompanhar uma história formada por camadas. Há a presença ancestral dos povos indígenas, os relatos de missões e aldeamentos, a transferência da população para a margem esquerda do rio Amazonas, a criação da Vila de Serpa, os conflitos do século XIX, a elevação à categoria de cidade e os acontecimentos políticos do século XX.

A expressão “Cidade da Pedra Pintada” resume parte dessa trajetória, mas não esgota a identidade do município. As pedras que inspiraram o nome são símbolos de uma história mais ampla, construída na relação entre território, rios, cultura e diferentes grupos que viveram na região.

Por isso, Itacoatiara ocupa um lugar particular na história do Amazonas. É uma cidade cujo passado pode ser percebido nos nomes, nas construções, nos espaços públicos, nos relatos sobre a navegação e nos registros deixados em rochas. Preservar esses elementos é fundamental para que as próximas gerações compreendam a formação de uma das cidades mais antigas e importantes do interior amazonense.

Fontes consultadas: Prefeitura de Itacoatiara, IBGE e Guia Turístico oficial de Itacoatiara.