O Instituto Durango Duarte transformou a preservação de documentos em uma frente de pesquisa sobre Manaus e o Amazonas. Criada em 15 de abril de 2016, a associação sem fins lucrativos reúne jornais, fotografias, vídeos, cartografias e outros registros para produzir livros, artigos e estudos sobre a região.
O trabalho parte de fontes que registram inaugurações, conflitos, mudanças na paisagem e acontecimentos que marcaram diferentes gerações. Ao recuperar esses materiais, o instituto também procura ampliar o debate sobre a história urbana, cultural, econômica e política do Amazonas.
Jornais como fonte para reconstruir a cidade
A imprensa ocupa posição central na produção do instituto. Os jornais antigos de Manaus são usados tanto como fonte de pesquisa quanto como objeto de estudo. A coleção 50 Anos Hoje, por exemplo, organiza por ano acontecimentos publicados nos jornais da cidade.
Nas páginas dedicadas a 1970, aparecem registros como a explosão da caldeira da Santa Casa, inaugurações de praças e avenidas e o centenário da Biblioteca Pública do Estado. A reunião dessas notícias permite observar transformações urbanas e episódios do cotidiano em uma mesma sequência documental.
Outras publicações se concentram em períodos de conflito na imprensa amazonense. Imprensa Amazonense: Chantagem, Politicagem e Lama e Imprensa Amazonense: Caso Batará abordam momentos de tensão e controvérsia na trajetória dos jornais locais.
Em Quando o Diário Oficial virou guerra, de 2026, a investigação trata das disputas ocorridas em 1958 e 1959, quando a publicação oficial do Estado se tornou espaço de confronto entre governo, oposição e imprensa. O livro aproxima a história institucional da comunicação e mostra como documentos oficiais também registram os embates de seu período.
Praças, cinemas e música na memória de Manaus
A paisagem urbana é outro eixo das pesquisas. Antes da criação do instituto, Durango Duarte publicou, em 2009, Manaus, entre o passado e o presente, um guia histórico e fotográfico que serviu de base para novas pesquisas sobre os espaços da cidade. Em 2012, lançou 343 Manaus, dedicado à apresentação visual e turística da capital.
Essa linha de investigação aparece também em Praças históricas de Manaus, publicado em 2023. A obra acompanha a trajetória de 34 praças, incluindo espaços que desapareceram. Ao recuperar antigas configurações e usos, o livro permite reconhecer aspectos de uma cidade que já não podem ser observados diretamente nas ruas. A pesquisa amplia e revisa o capítulo sobre praças incluído no livro de 2009.
A vida cultural da capital é abordada em publicações sobre cinema e música. A Sétima Arte em Manaus, de 2017, acompanha a história das salas de exibição, a chegada de empresas exibidoras e os festivais realizados na cidade. Já A vida musical em Manaus (1950 a 1960) e Olga Praguer Coelho: a voz e o violão do folclore brasileiro tratam de diferentes aspectos da produção musical.
Economia, política e formação do Amazonas
Parte do acervo publicado pelo Instituto Durango Duarte se dedica à formação econômica e política do Amazonas. RUBBER — Apogeu e Declínio da Borracha na Amazônia percorre a história do ciclo da borracha e de sua importância para a região.
Em A Construção da Província do Amazonas, de 2025, o recorte abrange a década de 1851 a 1859, período posterior à separação do Grão-Pará. A obra examina a formação das bases institucionais, econômicas e sociais da província.
A implantação da Zona Franca é tema de um livro digital gratuito lançado em 2023. Organizada por Durango Duarte, com participação da historiadora Marlucia Bentes e do jornalista Kleber Paiva na pesquisa, a publicação acompanha as primeiras discussões sobre o modelo, a construção do Distrito Industrial e a instalação das primeiras indústrias.
Pesquisa também parte da trajetória do fundador
Algumas obras se relacionam com experiências vividas pelo próprio pesquisador. Durango Duarte participou do movimento estudantil amazonense nos anos 1980, foi dirigente de centros acadêmicos e conselheiro da Universidade Federal do Amazonas.
Esse período voltou a ser abordado décadas depois em trabalhos sobre a mobilização estudantil, entre eles uma coletânea de entrevistas com personagens que atuaram entre 1975 e 1985. Em 2021, Durango também foi professor voluntário do curso de Arquivologia da Ufam.
Empresário, publicitário, escritor e pesquisador, ele está à frente do instituto desde sua criação. A atuação da entidade combina a organização de fontes históricas com a produção editorial e a aproximação com a comunidade acadêmica.
Acervo reúne livros, jornais e documentos digitalizados
Entre os objetivos do instituto estão o incentivo à produção literária, a preservação de documentos e a promoção de debates sobre questões regionais. Reuniões, palestras e cursos integram as atividades, ao lado da organização de fontes e do lançamento de publicações.
Segundo a entidade, sua biblioteca particular reúne mais de oito mil obras, além de diários oficiais, jornais e revistas digitalizados, cartografias e produções audiovisuais. Esse conjunto não está disponível para consulta no momento. O público pode acessar os materiais publicados no portal do Instituto Durango Duarte.
A instituição também busca incentivar a produção de teses, dissertações e monografias sobre Manaus, o Amazonas e a Amazônia. A proposta é fazer dos registros preservados uma base para novas pesquisas e interpretações sobre a região.
Com a manutenção dos documentos e a publicação de estudos, personagens, lugares e acontecimentos de diferentes períodos voltam a participar da discussão sobre a história amazonense.
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