sexta-feira, 25 de setembro de 2026
Esportes

Futevôlei no Amazonas ganha espaço entre crianças e jovens com escolinhas e projetos sociais

O futevôlei no Amazonas vem ampliando a presença entre crianças e jovens com escolinhas, projetos sociais e núcleos de treinamento. Em Manaus, ações públicas passaram a oferecer aulas gratuitas em diferentes bairros, enquanto municípios do interior também começam a criar oportunidades para a prática da modalidade.

O futevôlei no Amazonas vem ganhando espaço entre crianças e jovens por meio de escolinhas, projetos sociais e iniciativas voltadas ao esporte de base. Em Manaus, a modalidade passou a integrar ações públicas em bairros da capital, enquanto municípios do interior também registram a criação de núcleos destinados à iniciação esportiva.

A expansão ocorre em um cenário no qual o futevôlei deixa de ser associado apenas às praias e às competições de adultos. A combinação entre futebol e vôlei, praticada sem o uso das mãos e com a bola sendo devolvida por meio de partes do corpo como pés, cabeça, peito e pernas, passou a ocupar quadras e espaços esportivos comunitários.

Mais do que formar atletas, os projetos buscam oferecer uma atividade regular para crianças e adolescentes, estimular a convivência e ampliar o acesso ao esporte. No Amazonas, a modalidade também se conecta à tradição local do futebol e à busca por alternativas de lazer nos bairros.

Projetos públicos ampliam o acesso em Manaus

Uma das principais iniciativas voltadas ao futevôlei infantil no estado foi anunciada pelo Governo do Amazonas em maio de 2022. O projeto “Mais Futevôlei nos Bairros” previa a implantação inicial de dez escolinhas distribuídas em núcleos do Projeto Esporte e Lazer na Capital e Interior, conhecido como Pelci.

De acordo com o anúncio oficial, as aulas seriam oferecidas gratuitamente a crianças e jovens da capital. A proposta também previa a utilização de quadras e espaços esportivos reformados, com a possibilidade de levar a modalidade a outros pontos de Manaus e ao interior do estado. O anúncio do projeto foi feito no Complexo Esportivo do Passarinho, na zona norte da capital.

A presença do futevôlei em programas públicos representa uma mudança importante na forma de acesso à modalidade. Em vez de depender exclusivamente de clubes particulares ou de grupos formados por adultos, crianças e adolescentes passam a ter contato com treinos organizados em espaços comunitários.

Esse tipo de iniciativa também aproxima o esporte das regiões onde o acesso a escolinhas pagas pode ser limitado. A oferta gratuita, quando acompanhada de profissionais e estrutura adequada, amplia a possibilidade de participação de estudantes de diferentes bairros e condições econômicas.

Da brincadeira à formação esportiva

Para muitas crianças, o primeiro contato com o futevôlei ocorre como uma brincadeira associada ao futebol. A prática, porém, exige domínio corporal, coordenação motora, percepção de espaço e capacidade de tomar decisões rápidas. Esses elementos podem ser trabalhados de maneira gradual, de acordo com a idade e o nível de cada aluno.

Nas categorias iniciais, a prioridade tende a ser a familiarização com a bola e o desenvolvimento de movimentos básicos. O treinamento pode incluir exercícios de controle, equilíbrio, deslocamento e troca de passes, sem transformar os primeiros contatos em uma cobrança por desempenho competitivo.

A evolução para torneios e campeonatos deve ocorrer de forma progressiva. Crianças e adolescentes precisam de atividades compatíveis com sua faixa etária, além de acompanhamento técnico e atenção às condições físicas dos participantes. O objetivo é evitar que a busca por resultados antecipe etapas da formação.

O crescimento de escolinhas também cria uma base para que o Amazonas revele novos praticantes. O estado já é associado à formação de atletas da modalidade, e projetos anteriores destacaram a participação de crianças em atividades realizadas em Manaus.

Em 2015, uma escolinha de futevôlei no Centro Social Urbano do Parque Dez, em Manaus, foi apresentada como um espaço que reunia crianças, mulheres e adultos. A reportagem publicada na época registrou a adesão de crianças às atividades e mencionou a tradição do Amazonas na formação de praticantes. O registro sobre a escolinha mostra que o interesse pela modalidade entre os mais novos não é recente.

Projetos comunitários têm papel na inclusão

Além das ações governamentais, projetos comunitários ajudam a manter o futevôlei presente em diferentes regiões de Manaus. Em 2017, o atleta Guilherme Leite Perrone, conhecido como Guigui, inaugurou uma escolinha no Prosamim do bairro da Glória, na zona oeste da capital.

A iniciativa foi apresentada como um projeto social destinado a aproximar jovens do esporte e oferecer uma alternativa de ocupação no contraturno. Guigui nasceu em Maués, no interior do Amazonas, e construiu carreira no futevôlei, chegando ao título mundial da modalidade. A iniciativa na zona oeste de Manaus também reforçou a relação entre a trajetória de atletas e a criação de oportunidades para novos praticantes.

Projetos desse tipo costumam ter impacto que vai além da quadra. A rotina de treinos pode ajudar a estabelecer vínculos entre os participantes, aproximar famílias e estimular a permanência dos jovens em atividades esportivas. No entanto, os resultados dependem da continuidade das ações, da manutenção dos espaços e da presença de profissionais preparados.

A sustentabilidade desses projetos é um dos desafios para a expansão da modalidade. Anúncios de novas escolinhas precisam ser acompanhados por informações sobre funcionamento, número de vagas, calendário, equipe técnica e critérios de participação. Sem esses dados, torna-se difícil avaliar o alcance real das iniciativas.

Interior do Amazonas também entra no circuito

A expansão do futevôlei não se limita à capital. Em Autazes, no interior do estado, uma nova escolinha foi apresentada como forma de incentivar jovens à prática esportiva. A iniciativa foi divulgada em 2025 e mostrou que a modalidade começa a ser incorporada por municípios que buscam ampliar a oferta de atividades para a juventude.

O avanço para o interior é relevante porque as distâncias e as limitações de infraestrutura dificultam o acesso a modalidades esportivas especializadas. Quando uma escolinha é instalada no próprio município, crianças e adolescentes podem treinar sem depender de deslocamentos até Manaus.

Outros núcleos esportivos também passaram a incluir o futevôlei em suas atividades. Em Santos Dumont, na capital, o Governo do Amazonas informou que um núcleo do Pelci atendia 150 crianças e jovens em modalidades como futebol de campo, voleibol e futevôlei. A informação oficial sobre o núcleo indicou a integração de diferentes esportes em uma mesma estrutura de formação.

Em publicação de dezembro de 2023, também foram mencionadas novas bases do Pelci em municípios do interior, com previsão de atendimento a crianças e jovens a partir dos 7 anos. O material citou localidades como Maués, Tabatinga, São Gabriel da Cachoeira e Humaitá como regiões com presença ou expansão de atividades esportivas relacionadas ao programa.

Espaços privados e iniciativas locais fortalecem a modalidade

Em Manaus, arenas particulares e centros de treinamento também ajudam a ampliar a visibilidade do futevôlei. A Arena Aleixo, por exemplo, reúne um centro de treinamento voltado a praticantes regulares e uma escolinha para crianças e adolescentes vinculada ao projeto Mais Futevôlei Amazonas.

A experiência mostra como diferentes modelos podem coexistir. Enquanto programas públicos buscam ampliar o acesso gratuito, arenas e centros privados oferecem estrutura para treinos regulares, aperfeiçoamento técnico e preparação para competições.

Essa diversidade contribui para formar uma cadeia esportiva mais ampla, que começa na iniciação e pode avançar para o treinamento especializado. Para que isso ocorra, porém, é necessário que as categorias de base tenham calendário, acompanhamento e competições compatíveis com a idade dos participantes.

O surgimento de núcleos em bairros também tem efeito sobre a visibilidade das meninas no esporte. Embora muitos espaços de futevôlei ainda sejam associados ao público masculino, a participação feminina em projetos comunitários e escolinhas pode ampliar a presença de meninas e adolescentes na modalidade.

Desafios para consolidar o futevôlei infantil

O crescimento do futevôlei entre crianças e jovens depende de mais do que quadras disponíveis. A modalidade exige profissionais capazes de adaptar exercícios, orientar movimentos e respeitar os limites físicos de cada faixa etária.

Também é necessário garantir equipamentos em boas condições, areia ou piso apropriado, horários regulares e protocolos de segurança. Em cidades como Manaus, o calor e a umidade podem exigir atenção especial à hidratação, aos horários de treino e à proteção contra a exposição excessiva ao sol.

Outro desafio é evitar que a modalidade seja tratada apenas como uma atividade recreativa sem planejamento. A oferta de aulas precisa estar vinculada a objetivos claros, como iniciação esportiva, desenvolvimento motor, convivência social ou formação competitiva. Cada finalidade exige métodos e indicadores diferentes.

Também é importante acompanhar a permanência dos alunos. O número de vagas anunciadas não revela, sozinho, quantas crianças frequentam regularmente os treinos, quantas abandonam as atividades ou quantas avançam para competições. Dados sobre frequência e resultados ajudariam a medir a efetividade das políticas públicas.

Uma modalidade em fase de expansão

O futevôlei no Amazonas vive uma fase de expansão marcada pela abertura de escolinhas, pela atuação de projetos sociais e pela criação de núcleos em bairros e municípios. A presença crescente entre crianças e jovens indica que a modalidade encontrou espaço além das competições tradicionais e dos grupos de adultos.

Em Manaus, o desafio é manter a continuidade das iniciativas e ampliar a distribuição territorial das atividades. No interior, a prioridade passa por estruturar espaços, capacitar profissionais e garantir que os projetos não dependam apenas de ações pontuais.

Se houver planejamento, acompanhamento e acesso regular, o futevôlei pode se consolidar como uma das alternativas de esporte de base no estado. A modalidade já reúne características que atraem os jovens: combina elementos do futebol e do vôlei, permite a prática em espaços abertos e favorece atividades coletivas.

O crescimento, contudo, precisa ser acompanhado de responsabilidade. Para crianças e adolescentes, o principal resultado não deve ser apenas a conquista de títulos, mas a possibilidade de praticar esporte com segurança, orientação e continuidade. É nessa base que podem surgir novos atletas e, ao mesmo tempo, experiências de convivência que ultrapassam os limites da quadra.