sexta-feira, 25 de setembro de 2026
SAÚDE

Cuidados para evitar doenças transmitidas pela água no Amazonas

Saiba como tornar a água segura para beber, preparar alimentos e realizar a higiene doméstica, especialmente durante o período chuvoso e em situações de alagamento no Amazonas.

Os cuidados para evitar doenças transmitidas pela água no Amazonas começam antes do consumo. Em períodos de chuvas intensas, cheias e alagamentos, a água pode entrar em contato com esgoto, lixo, lama, fezes de animais e outros contaminantes. O risco também existe no dia a dia, quando a água é armazenada de forma inadequada, quando alimentos não são higienizados ou quando as mãos não são lavadas corretamente.

Entre os problemas associados à água e aos alimentos contaminados estão as doenças diarreicas agudas, cólera, febre tifoide, hepatite A, giardíase, amebíase, verminoses e leptospirose. As orientações do Ministério da Saúde são especialmente importantes para famílias que não recebem água tratada continuamente ou que enfrentam interrupções no abastecimento.

Por que a água contaminada oferece risco

A contaminação pode ocorrer quando microrganismos chegam à água por meio de fezes humanas ou de animais, resíduos, esgoto, mãos sujas, utensílios e recipientes mal higienizados. A ingestão dessa água ou de alimentos preparados com ela pode causar infecções no aparelho digestivo.

As doenças diarreicas agudas podem provocar diarreia, náusea, vômitos, febre e dor abdominal. Em alguns casos, a perda de líquidos evolui para desidratação, principalmente entre crianças pequenas, idosos, pessoas imunossuprimidas e indivíduos com outras condições de saúde.

O Ministério da Saúde considera doença diarreica aguda a ocorrência de pelo menos três episódios de diarreia em 24 horas. A transmissão pode ocorrer pelo consumo de água e alimentos contaminados, pelo contato com objetos contaminados e pelas mãos de pessoas infectadas.

Como tratar a água antes de beber

Quando não houver segurança sobre a qualidade da água, ela deve ser tratada antes do consumo, do preparo de alimentos, da produção de gelo e da escovação dos dentes. O tratamento deve ser feito em um recipiente limpo, que tenha tampa e, de preferência, boca estreita para reduzir o risco de nova contaminação.

Opção 1: filtrar e desinfetar com hipoclorito

Filtre ou coe a água usando filtro doméstico, coador de papel ou pano limpo. Depois, adicione duas gotas de hipoclorito de sódio a 2,5% para cada litro de água. Misture bem e aguarde 30 minutos antes de consumir.

A água tratada com hipoclorito deve ser consumida em até 24 horas. O produto precisa ser próprio para esse uso. A água sanitária só pode ser utilizada quando tiver concentração de cloro ativo entre 2% e 2,5% e não contiver perfume, essência, alvejante, desinfetante ou outros aditivos.

Antes de aplicar o produto, confira as informações do rótulo. Não use hipoclorito ou água sanitária em quantidade maior do que a recomendada, pois o excesso também pode fazer mal à saúde.

Opção 2: filtrar e ferver

Na ausência de hipoclorito de sódio adequado, filtre ou coe a água e, em seguida, ferva por cinco minutos após o início da fervura. Espere a água esfriar antes de colocá-la em um recipiente limpo e tampado.

O processo de fervura pode alterar o gosto da água. De acordo com o Ministério da Saúde, é possível agitar ou chacoalhar a água depois que ela esfriar para melhorar a oxigenação e reduzir essa alteração de sabor.

Cuidados com água de rios, igarapés, poços e cacimbas

Água transparente não é necessariamente água potável. Rios, igarapés, cacimbas, poços e outras fontes podem conter microrganismos mesmo quando não apresentam cheiro, cor ou gosto diferentes.

Por isso, não beba água dessas fontes sem tratamento. A água de origem desconhecida também não deve ser usada para preparar alimentos, fazer gelo, lavar frutas e verduras ou escovar os dentes sem que tenha sido tratada previamente.

Se a fonte tiver sido atingida por enchente, esgoto, produtos químicos, combustível ou lama, não tente resolver o problema apenas com fervura ou hipoclorito. Nesses casos, procure uma fonte segura de abastecimento e siga as orientações da autoridade de saúde ou da Defesa Civil.

Como armazenar a água tratada

O armazenamento incorreto pode contaminar novamente uma água que foi filtrada, fervida ou desinfetada. Para evitar esse problema:

  • lave as mãos antes de manipular a água e os recipientes;
  • use vasilhas limpas, com tampa e, de preferência, com abertura estreita;
  • mantenha o recipiente protegido de poeira, insetos, animais e produtos químicos;
  • não coloque as mãos, copos ou utensílios sujos dentro da água;
  • use uma concha ou utensílio limpo para retirar a água, quando necessário;
  • limpe regularmente caixas-d’água, filtros, galões e outros recipientes;
  • não misture água tratada com água ainda não tratada.

Caixas-d’água e reservatórios devem permanecer tampados. Quando houver suspeita de contaminação, a água não deve ser consumida até que o reservatório seja higienizado e a qualidade da água seja restabelecida.

Higiene das mãos e dos alimentos

Lavar as mãos com água e sabão é uma das principais formas de interromper a transmissão de doenças diarreicas. A higiene deve ser feita antes de preparar ou consumir alimentos, depois de usar o banheiro, após trocar fraldas, depois de tocar em animais, ao chegar da rua e sempre que houver contato com superfícies potencialmente sujas.

Também é importante lavar e desinfetar bancadas, utensílios, panelas e equipamentos usados no preparo das refeições. Alimentos devem ser protegidos contra insetos, animais domésticos e outros animais, preferencialmente em recipientes fechados.

Frutas, verduras e legumes precisam ser higienizados com água segura. Carnes, ovos, pescados e mariscos devem ser bem cozidos. Evite leite cru, alimentos de procedência desconhecida e produtos que tenham sido mantidos fora de refrigeração ou que apresentem embalagem violada.

Alimentos que tiveram contato com água de enchente ou lama devem ser descartados, mesmo que estejam embalados, enlatados ou pareçam intactos. A recomendação também vale para alimentos perecíveis, frutas, verduras e legumes.

Cuidados durante enchentes e alagamentos

Durante enchentes, a água pode carregar agentes causadores de doenças e aumentar o contato das pessoas com lama e resíduos. A Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas reforça a necessidade de atenção com a água destinada ao consumo humano durante o período de chuvas intensas.

Não entre em áreas alagadas sem necessidade. Quando o contato for inevitável, use botas e luvas impermeáveis, se disponíveis, e evite tocar o rosto durante a atividade. Depois, lave as mãos e o corpo com água e sabão e limpe os objetos que tiveram contato com a lama.

A leptospirose merece atenção porque pode ser transmitida pelo contato com água ou lama contaminada pela urina de animais infectados, especialmente ratos. Os sintomas podem incluir febre, dor de cabeça, dores musculares, fraqueza, náuseas e vômitos. Após contato com água de enchente ou lama, a presença desses sinais exige avaliação em um serviço de saúde.

Não é recomendado caminhar, brincar ou permitir que crianças entrem em água de inundação. Animais domésticos também devem ser mantidos afastados de áreas alagadas.

Quais sintomas exigem atendimento

Procure uma unidade de saúde quando houver diarreia persistente, vômitos repetidos, sangue nas fezes, febre, dor intensa, muita sede, fraqueza, sonolência, redução da quantidade de urina ou dificuldade para beber líquidos.

Crianças pequenas e idosos podem se desidratar rapidamente. Nesses grupos, a procura por atendimento deve ser mais rápida. Também é necessário buscar avaliação quando várias pessoas da mesma casa, comunidade, escola ou local de trabalho apresentam sintomas semelhantes depois de consumir a mesma água ou alimento.

Enquanto aguarda orientação profissional, a pessoa deve receber líquidos seguros e, quando indicado, solução de sais de reidratação oral. A alimentação habitual e o aleitamento materno devem ser mantidos, salvo orientação médica diferente. Não use antibióticos, antidiarreicos ou outros medicamentos por conta própria.

Como reduzir o risco no dia a dia

  • consuma apenas água tratada, filtrada, fervida ou desinfetada conforme a orientação oficial;
  • mantenha os recipientes de água tampados e limpos;
  • lave as mãos com frequência;
  • use água segura no preparo de refeições e bebidas;
  • evite alimentos crus ou malpassados e produtos sem procedência;
  • descarte alimentos que tiveram contato com enchente ou lama;
  • mantenha o lixo fechado e distante de fontes de água;
  • use o vaso sanitário e nunca descarte fezes perto de rios, igarapés, poços ou cacimbas;
  • acompanhe os comunicados da Secretaria de Saúde, da FVS-RCP e da prefeitura do município.

A prevenção depende da combinação entre água segura, saneamento, higiene e informação. No Amazonas, onde comunidades podem enfrentar longas distâncias, cheias e interrupções no abastecimento, manter uma reserva de água tratada e recipientes adequados pode reduzir o risco de contaminação. Em caso de dúvida sobre a qualidade da água ou diante de sintomas, procure a unidade de saúde de referência do município.