A prevenção de doenças transmitidas por mosquitos no Amazonas exige cuidados contínuos dentro de casa, no trabalho, durante deslocamentos e em áreas próximas à floresta, rios e igarapés. Medidas como eliminar recipientes com água parada, usar repelente registrado, instalar telas e dormir protegido por mosquiteiro ajudam a reduzir o risco de infecção.
Entre as principais doenças relacionadas a mosquitos estão dengue, zika e chikungunya, transmitidas principalmente pelo Aedes aegypti, e a malária, transmitida pelo mosquito do gênero Anopheles. Embora compartilhem algumas formas de prevenção, os vetores têm hábitos e ambientes diferentes. Por isso, a proteção deve ser adaptada à rotina de cada pessoa.
No Amazonas, os cuidados são importantes tanto em áreas urbanas quanto em comunidades rurais, ribeirinhas, sítios, fazendas, hotéis de selva e locais próximos à mata. A prevenção também deve ser reforçada em períodos de maior circulação de mosquitos e durante viagens para municípios do interior.
Elimine água parada dentro e fora de casa
O Aedes aegypti costuma viver próximo das pessoas e pode se reproduzir em pequenos recipientes que acumulam água. Por isso, a inspeção do imóvel deve fazer parte da rotina semanal, inclusive em locais aparentemente limpos e protegidos da chuva.
É necessário esvaziar e lavar recipientes usados para armazenar água, manter caixas-d’água fechadas, limpar calhas e verificar ralos, vasos de plantas, bandejas de ar-condicionado, pneus, garrafas, tampas, baldes, lonas e brinquedos deixados no quintal. Piscinas sem uso também precisam ser cobertas e tratadas adequadamente.
O cuidado não deve se limitar ao interior da residência. Quintais, terrenos, áreas comuns, escolas, comércios e locais de trabalho também podem ter criadouros. Quando houver recipientes que não possam ser eliminados, eles devem ser mantidos tampados, limpos e sem acúmulo de água.
O Ministério da Saúde recomenda medidas permanentes de controle do Aedes aegypti, porque os ovos do mosquito podem permanecer no ambiente por meses e voltar a se desenvolver quando entram em contato com a água. A prevenção, portanto, não deve ocorrer apenas durante campanhas ou após o surgimento de casos.
Use repelente de forma correta
O repelente de uso tópico pode ser aplicado nas áreas expostas do corpo e também sobre a roupa, conforme as instruções do rótulo. É importante respeitar a frequência de reaplicação indicada pelo fabricante, sem aumentar a quantidade ou a frequência por conta própria.
Os produtos devem ser registrados na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Entre os princípios ativos encontrados em repelentes estão DEET, icaridina ou picaridina e IR3535. Produtos anunciados como naturais, à base de citronela, andiroba ou óleo de cravo, não devem ser considerados automaticamente eficazes ou autorizados.
Em crianças, o uso exige atenção especial. Repelentes à base de DEET não devem ser usados em menores de 2 anos. Entre 2 e 12 anos, o produto deve seguir as restrições de concentração e frequência descritas na embalagem. A aplicação deve ser feita por um adulto, evitando mãos, olhos, boca e pele irritada.
Em crianças pequenas, o adulto deve colocar o produto nas próprias mãos e depois espalhá-lo na pele da criança. No caso de aplicação em spray no rosto, o produto deve ser colocado primeiro nas mãos, nunca diretamente na face. Após o uso, é importante lavar as mãos.
Gestantes podem usar repelentes registrados, desde que sigam rigorosamente as orientações do fabricante. Além do produto, devem priorizar roupas que cubram braços e pernas, telas, mosquiteiros e ambientes protegidos, especialmente em locais com transmissão de malária.
Repelentes ambientais, como aparelhos elétricos, espirais e outros produtos, também devem ter registro e ser usados de acordo com as precauções da embalagem. Eles não substituem a eliminação de criadouros nem a proteção individual.
Proteja o corpo com roupas, telas e mosquiteiros
Calças compridas, camisas de mangas longas e calçados fechados reduzem a área de pele disponível para picadas. A recomendação é especialmente importante em deslocamentos para áreas rurais, florestas, margens de rios, igarapés e locais com vegetação densa.
Telas em portas e janelas ajudam a impedir a entrada de mosquitos. Quando possível, é indicado manter os ambientes protegidos e utilizar ar-condicionado. O mosquiteiro deve cobrir toda a cama ou rede, ficar bem preso e sem aberturas nas laterais.
Em áreas de transmissão de malária, o mosquiteiro é importante principalmente durante o período noturno. Mosquiteiros tratados com inseticida devem ser lavados e conservados conforme as orientações dos serviços de saúde, pois o uso inadequado pode reduzir a proteção.
O mosquito transmissor da malária tem maior atividade entre o fim da tarde, a noite e a madrugada. Por isso, em áreas de risco, é recomendável evitar permanecer exposto nesses horários, principalmente próximo a igarapés, riachos, rios e áreas de mata. Se a exposição for necessária, a pessoa deve usar roupas que cubram o corpo, repelente e outras barreiras físicas.
Cuidados diferentes para áreas urbanas e de mata
Nas cidades, o foco da prevenção é eliminar recipientes que possam acumular água e proteger a pele contra picadas. Dengue, zika e chikungunya são doenças associadas ao Aedes aegypti, que pode estar dentro ou no entorno das residências e picar durante o dia, embora também possa picar em outros horários.
Em áreas rurais, ribeirinhas e de floresta, os cuidados precisam incluir a prevenção da malária. O uso de mosquiteiro, telas, roupas compridas e repelente deve ser combinado com a redução da exposição ao mosquito nos horários de maior atividade.
Antes de viajar para um município do interior, é importante verificar se a hospedagem oferece telas, mosquiteiros ou outros meios de proteção. Em casas de temporada, sítios e alojamentos, a inspeção deve começar logo na chegada, com atenção a portas, janelas, camas, redes e áreas próximas a cursos d’água.
A aplicação de inseticidas no interior das residências, quando indicada, deve ser realizada pelas equipes responsáveis pelos serviços de saúde. A população não deve improvisar misturas ou utilizar produtos sem registro, pois isso pode causar intoxicação e não garante controle adequado dos mosquitos.
Saiba reconhecer os principais sinais
A dengue pode causar febre alta de início repentino, dor de cabeça, dor atrás dos olhos, dores no corpo e nas articulações, mal-estar, falta de apetite e manchas vermelhas na pele. Chikungunya costuma provocar febre e dores intensas nas articulações. O zika pode apresentar manchas, coceira, febre baixa, conjuntivite e dor nas articulações, mas também pode ocorrer sem sintomas.
Os sintomas da malária podem incluir febre, calafrios, cansaço, mal-estar, dor de cabeça, dores no corpo, náusea, tontura, falta de apetite e, em alguns casos, pele amarelada. Depois de uma viagem ou permanência em área de transmissão, a ocorrência de febre deve ser informada ao profissional de saúde.
Os sintomas dessas doenças podem ser parecidos. Por isso, não é seguro tentar identificar a causa apenas pelos sinais ou iniciar medicamentos por conta própria. Quem apresentar febre ou mal-estar após exposição a mosquitos deve procurar uma unidade de saúde e informar onde esteve, quando começou a sentir os sintomas e se esteve em área de mata ou próximo a rios e igarapés.
Quando procurar atendimento com urgência
Na suspeita de dengue, a pessoa deve buscar atendimento imediatamente se apresentar dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, sangramento, desmaio, sonolência excessiva, irritabilidade, dificuldade para respirar ou piora do estado geral. Esses sinais podem surgir quando a febre começa a diminuir e exigem avaliação rápida.
Até receber orientação profissional, a pessoa com suspeita de dengue deve evitar a automedicação. O Ministério da Saúde orienta não usar ácido acetilsalicílico, conhecido como AAS ou aspirina, nem anti-inflamatórios não esteroides, pois esses medicamentos podem aumentar o risco de sangramentos. A hidratação e os medicamentos adequados devem seguir orientação de um profissional de saúde.
Na suspeita de malária, a procura pelo diagnóstico deve ser imediata. A doença pode se agravar quando não é identificada e tratada de forma oportuna. Gestantes, crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas precisam de atenção especial e devem comunicar rapidamente qualquer febre após exposição em área de risco.
Prevenção depende de toda a comunidade
A proteção contra doenças transmitidas por mosquitos não depende de uma única medida. O resultado é maior quando moradores, escolas, empresas, unidades de saúde e administrações municipais eliminam criadouros, mantêm os ambientes protegidos e comunicam a existência de locais com acúmulo de água ou aumento de mosquitos.
Uma rotina semanal de poucos minutos pode ajudar a reduzir os focos do Aedes aegypti. Em áreas de transmissão de malária, o uso permanente de mosquiteiro, telas, roupas adequadas e repelente é essencial, sobretudo no fim da tarde, à noite e durante a madrugada.
Ao apresentar sintomas, a orientação é procurar o Sistema Único de Saúde e relatar o histórico de deslocamentos e exposição. O diagnóstico precoce permite iniciar o tratamento adequado e reduz o risco de complicações e de continuidade da transmissão.
As recomendações de prevenção são baseadas em orientações do Ministério da Saúde, da Anvisa, da Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas e da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas.





