sexta-feira, 25 de setembro de 2026
SAÚDE

Como prevenir doenças transmitidas por mosquitos no Amazonas

Saiba como prevenir doenças transmitidas por mosquitos no Amazonas, quais cuidados adotar em casa, na cidade, em áreas de mata e durante viagens, além dos sinais que exigem atendimento médico.

A prevenção de doenças transmitidas por mosquitos no Amazonas exige cuidados contínuos dentro de casa, no trabalho, durante deslocamentos e em áreas próximas à floresta, rios e igarapés. Medidas como eliminar recipientes com água parada, usar repelente registrado, instalar telas e dormir protegido por mosquiteiro ajudam a reduzir o risco de infecção.

Entre as principais doenças relacionadas a mosquitos estão dengue, zika e chikungunya, transmitidas principalmente pelo Aedes aegypti, e a malária, transmitida pelo mosquito do gênero Anopheles. Embora compartilhem algumas formas de prevenção, os vetores têm hábitos e ambientes diferentes. Por isso, a proteção deve ser adaptada à rotina de cada pessoa.

No Amazonas, os cuidados são importantes tanto em áreas urbanas quanto em comunidades rurais, ribeirinhas, sítios, fazendas, hotéis de selva e locais próximos à mata. A prevenção também deve ser reforçada em períodos de maior circulação de mosquitos e durante viagens para municípios do interior.

Elimine água parada dentro e fora de casa

O Aedes aegypti costuma viver próximo das pessoas e pode se reproduzir em pequenos recipientes que acumulam água. Por isso, a inspeção do imóvel deve fazer parte da rotina semanal, inclusive em locais aparentemente limpos e protegidos da chuva.

É necessário esvaziar e lavar recipientes usados para armazenar água, manter caixas-d’água fechadas, limpar calhas e verificar ralos, vasos de plantas, bandejas de ar-condicionado, pneus, garrafas, tampas, baldes, lonas e brinquedos deixados no quintal. Piscinas sem uso também precisam ser cobertas e tratadas adequadamente.

O cuidado não deve se limitar ao interior da residência. Quintais, terrenos, áreas comuns, escolas, comércios e locais de trabalho também podem ter criadouros. Quando houver recipientes que não possam ser eliminados, eles devem ser mantidos tampados, limpos e sem acúmulo de água.

O Ministério da Saúde recomenda medidas permanentes de controle do Aedes aegypti, porque os ovos do mosquito podem permanecer no ambiente por meses e voltar a se desenvolver quando entram em contato com a água. A prevenção, portanto, não deve ocorrer apenas durante campanhas ou após o surgimento de casos.

Use repelente de forma correta

O repelente de uso tópico pode ser aplicado nas áreas expostas do corpo e também sobre a roupa, conforme as instruções do rótulo. É importante respeitar a frequência de reaplicação indicada pelo fabricante, sem aumentar a quantidade ou a frequência por conta própria.

Os produtos devem ser registrados na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Entre os princípios ativos encontrados em repelentes estão DEET, icaridina ou picaridina e IR3535. Produtos anunciados como naturais, à base de citronela, andiroba ou óleo de cravo, não devem ser considerados automaticamente eficazes ou autorizados.

Em crianças, o uso exige atenção especial. Repelentes à base de DEET não devem ser usados em menores de 2 anos. Entre 2 e 12 anos, o produto deve seguir as restrições de concentração e frequência descritas na embalagem. A aplicação deve ser feita por um adulto, evitando mãos, olhos, boca e pele irritada.

Em crianças pequenas, o adulto deve colocar o produto nas próprias mãos e depois espalhá-lo na pele da criança. No caso de aplicação em spray no rosto, o produto deve ser colocado primeiro nas mãos, nunca diretamente na face. Após o uso, é importante lavar as mãos.

Gestantes podem usar repelentes registrados, desde que sigam rigorosamente as orientações do fabricante. Além do produto, devem priorizar roupas que cubram braços e pernas, telas, mosquiteiros e ambientes protegidos, especialmente em locais com transmissão de malária.

Repelentes ambientais, como aparelhos elétricos, espirais e outros produtos, também devem ter registro e ser usados de acordo com as precauções da embalagem. Eles não substituem a eliminação de criadouros nem a proteção individual.

Proteja o corpo com roupas, telas e mosquiteiros

Calças compridas, camisas de mangas longas e calçados fechados reduzem a área de pele disponível para picadas. A recomendação é especialmente importante em deslocamentos para áreas rurais, florestas, margens de rios, igarapés e locais com vegetação densa.

Telas em portas e janelas ajudam a impedir a entrada de mosquitos. Quando possível, é indicado manter os ambientes protegidos e utilizar ar-condicionado. O mosquiteiro deve cobrir toda a cama ou rede, ficar bem preso e sem aberturas nas laterais.

Em áreas de transmissão de malária, o mosquiteiro é importante principalmente durante o período noturno. Mosquiteiros tratados com inseticida devem ser lavados e conservados conforme as orientações dos serviços de saúde, pois o uso inadequado pode reduzir a proteção.

O mosquito transmissor da malária tem maior atividade entre o fim da tarde, a noite e a madrugada. Por isso, em áreas de risco, é recomendável evitar permanecer exposto nesses horários, principalmente próximo a igarapés, riachos, rios e áreas de mata. Se a exposição for necessária, a pessoa deve usar roupas que cubram o corpo, repelente e outras barreiras físicas.

Cuidados diferentes para áreas urbanas e de mata

Nas cidades, o foco da prevenção é eliminar recipientes que possam acumular água e proteger a pele contra picadas. Dengue, zika e chikungunya são doenças associadas ao Aedes aegypti, que pode estar dentro ou no entorno das residências e picar durante o dia, embora também possa picar em outros horários.

Em áreas rurais, ribeirinhas e de floresta, os cuidados precisam incluir a prevenção da malária. O uso de mosquiteiro, telas, roupas compridas e repelente deve ser combinado com a redução da exposição ao mosquito nos horários de maior atividade.

Antes de viajar para um município do interior, é importante verificar se a hospedagem oferece telas, mosquiteiros ou outros meios de proteção. Em casas de temporada, sítios e alojamentos, a inspeção deve começar logo na chegada, com atenção a portas, janelas, camas, redes e áreas próximas a cursos d’água.

A aplicação de inseticidas no interior das residências, quando indicada, deve ser realizada pelas equipes responsáveis pelos serviços de saúde. A população não deve improvisar misturas ou utilizar produtos sem registro, pois isso pode causar intoxicação e não garante controle adequado dos mosquitos.

Saiba reconhecer os principais sinais

A dengue pode causar febre alta de início repentino, dor de cabeça, dor atrás dos olhos, dores no corpo e nas articulações, mal-estar, falta de apetite e manchas vermelhas na pele. Chikungunya costuma provocar febre e dores intensas nas articulações. O zika pode apresentar manchas, coceira, febre baixa, conjuntivite e dor nas articulações, mas também pode ocorrer sem sintomas.

Os sintomas da malária podem incluir febre, calafrios, cansaço, mal-estar, dor de cabeça, dores no corpo, náusea, tontura, falta de apetite e, em alguns casos, pele amarelada. Depois de uma viagem ou permanência em área de transmissão, a ocorrência de febre deve ser informada ao profissional de saúde.

Os sintomas dessas doenças podem ser parecidos. Por isso, não é seguro tentar identificar a causa apenas pelos sinais ou iniciar medicamentos por conta própria. Quem apresentar febre ou mal-estar após exposição a mosquitos deve procurar uma unidade de saúde e informar onde esteve, quando começou a sentir os sintomas e se esteve em área de mata ou próximo a rios e igarapés.

Quando procurar atendimento com urgência

Na suspeita de dengue, a pessoa deve buscar atendimento imediatamente se apresentar dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, sangramento, desmaio, sonolência excessiva, irritabilidade, dificuldade para respirar ou piora do estado geral. Esses sinais podem surgir quando a febre começa a diminuir e exigem avaliação rápida.

Até receber orientação profissional, a pessoa com suspeita de dengue deve evitar a automedicação. O Ministério da Saúde orienta não usar ácido acetilsalicílico, conhecido como AAS ou aspirina, nem anti-inflamatórios não esteroides, pois esses medicamentos podem aumentar o risco de sangramentos. A hidratação e os medicamentos adequados devem seguir orientação de um profissional de saúde.

Na suspeita de malária, a procura pelo diagnóstico deve ser imediata. A doença pode se agravar quando não é identificada e tratada de forma oportuna. Gestantes, crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas precisam de atenção especial e devem comunicar rapidamente qualquer febre após exposição em área de risco.

Prevenção depende de toda a comunidade

A proteção contra doenças transmitidas por mosquitos não depende de uma única medida. O resultado é maior quando moradores, escolas, empresas, unidades de saúde e administrações municipais eliminam criadouros, mantêm os ambientes protegidos e comunicam a existência de locais com acúmulo de água ou aumento de mosquitos.

Uma rotina semanal de poucos minutos pode ajudar a reduzir os focos do Aedes aegypti. Em áreas de transmissão de malária, o uso permanente de mosquiteiro, telas, roupas adequadas e repelente é essencial, sobretudo no fim da tarde, à noite e durante a madrugada.

Ao apresentar sintomas, a orientação é procurar o Sistema Único de Saúde e relatar o histórico de deslocamentos e exposição. O diagnóstico precoce permite iniciar o tratamento adequado e reduz o risco de complicações e de continuidade da transmissão.

As recomendações de prevenção são baseadas em orientações do Ministério da Saúde, da Anvisa, da Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas e da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas.